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De olhos bem abertos
Para os gregos, Íris era a deusa responsável pela luz do mundo. Para a medicina, ela revela doenças e até características psicológicas do indivíduo


Que os olhos são o espelho da alma e a janela do corpo, todo mundo já ouviu. E como toda a sabedoria popular, o dito tem lá seu fundamento. Há mais de 200 anos, um médico húngaro relacionou marcas nos olhos com enfermidades no corpo. O estudo evoluiu e hoje, o método de análise conhecido como iridologia ou irisdiagnose ganhou status de ciência e auxilia a medicina no diagnóstico de doenças.

A iridologia é, literalmente, o estudo da íris, a parte colorida dos olhos. "A iridologia trabalha como um scanner da saúde, ou seja: ela dá rapidamente uma analise do que não está funcionando". Essa análise acarreta numa potencialização do diagnóstico. Ao mapear e identificar quais áreas não vão bem no paciente, os exames clínicos e laboratoriais podem ser mais focados nos órgãos que apresentarem alterações. Seu objetivo é diagnosticar, e não tratar. Por isso, pode ser estudada e aplicada por profissionais de diversas especialidades.

O mapeamento é feito por zonas que usam o relógio como base. Assim, cada órgão tem sua hora correspondente. "A gente se refere às doenças como se fossem horários: às 6:00 horas está a perna, ao meio-dia é o cérebro, às 3:00 fica o coração", exemplifica um especialista. A correlação também leva em conta o lado em que o órgão está no corpo. O coração aparece na iris esquerda, o fígado é exclusivo do olho direito e o cérebro está presente em ambos.

Para a análise usa-se um aparelho de fibra ótica que capta a imagem da íris do paciente e joga no computador. A partir desse mapa, o profissional pode analisar em que parte do corpo surgem os problemas e inflamações, às vezes antes mesmo que as moléstias se exteriorizem, garante o médico.

Um dos pioneiros da irisdiagnose é o médico húngaro Ignatz Von Peczely. Quando garoto, quebrou acidentalmente a pata de uma coruja que se debatia ao ser capturada. Naquele momento, notou que um sinal havia surgido na íris da ave, um pouco abaixo da pupila. À medida em que cuidava da ave e a fratura cicatrizava, o sinal no olho tomava formas diferentes. No ano de 1848, ingressou no exército de infantaria e registrava as alterações nas íris de seus colegas de infantaria feridos e começou a documentar sua tese de que, de algum modo, havia uma relação estreita entre as manchas que surgem nos olhos e o resto do corpo. Von Peczley se formou em medicina no ano de 1867 na universidade de Viena e, finalmente, publicou o resultado de anos de observação em 1880.

O outro pai da iridologia é o pastor suíço Nils Liljquist. Ele afirmava que as fibras que compõem a íris recebem informações de todo o sistema nervoso, o que faz dos olhos uma estrutura que reflete a saúde do corpo. O mesmo conceito dá base a conhecidas formas de medicina oriental, como a reflexologia e a acunpuntura, que vêem a orelha e os pés como verdadeiros.

Dá até para apreender traços psicológicos pela análise do mapa iridológico. É o que prega uma vertente paralela ao modelo orgânico do pioneiro Peczely, encabeçada pelo norte-americano Denny Johnson. "Utilizo a íris como uma ferramenta para análises orgânicas, mas sabemos que lesões psicológicas são capazes de gerar lesões orgânicas", diz Requena. No método Rayid, de Johnson, são apresentados quatro padrões básicos para análise da personalidade do paciente com base nos olhos:

 
  • Flor: As fibras da íris formam desenhos que remetem a pétalas. É um padrão de pessoas alegres, expansivas e com gosto pelas artes. Quando agredidas, costumam sentir muita raiva.

     
  • Jóia: Avessas a mudanças, as pessoas com esse padrão têm boa expressão verbal, mas certa dificuldade em relação a gestos. É marcado por manchas escuras provocadas por excesso de pigmentos nos olhos.

     
  • Corrente: Fibras bem condensadas e homogêneas. Normalmente aparece em pessoas com intuição aguçada.

     
  • Agitador: Uma mistura dos padrões jóia e flor. Manifesta-se em indivíduos curiosos, sempre em busca de algo novo.



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